Conforto ambiental nas favelas

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As favelas são ambientes com altas taxas de densidade demográfica. Essa condição junto com o baixo poder econômico são fatores que interferem bastante na qualidade do conforto ambiental em residências e no espaço urbano.
Em muitos casos a solução proposta é a realocação das famílias para áreas por vezes afastada de seus convívios, o que não oferece uma alternativa positiva sob o ponto de vista social.

Porém esse assunto já vem sendo repensado por alguns profissionais, como o arquiteto Eduardo Pimentel Pizarro, que desenvolveu uma pesquisa que aborda alternativas para trazer conforto ambiental aos moradores de áreas com aglomerados subnormais, sem que haja realocações desnecessárias e até mesmo mais caras. Para tanto, foi feito um estudo de caso na favela de Paraisópolis (Zona Sul de São Paulo).

Algumas dessas alternativas foram publicadas em um jornal que circula em Paraisópolis com um texto de “12 passos” para moradores implementarem na prática as melhorias que precisam para adequação do conforto ambiental na prática. Muitas baseadas em ações simples e com materiais já bastante utilizados na região, tais como o bloco cerâmico vazado, tijolo maciço e blocos de concreto. Segundo Pizarro, a disposição desses elementos em uma nova ordenação pode inclusive dar novos usos e dinâmica ao espaço externo, incentivando mais atividades externas. O arquiteto ainda pretende elaborar uma cartilha com mais informações para os moradores.

Forma de assentamento de blocos ou tijolos proporcionam conforto ambiental e diferentes usos externos:
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Foto: Eduardo Pimentel Pizarro

Pizarro ainda propõe  como estratégias mais complexas para melhoria do conforto como a abertura de vãos livres entre os pavimentos de alguns prédios., o que levaria iluminação e ventilação natural a mais casas situadas no meio dos aglomerados, além de evitar o deslocamento das pessoas para prédios ou casas em outra localidade.

Esquema de vãos livres proposto:20160516_03_pb
Foto: Eduardo Pimentel Pizarro

A pesquisa “Interstícios e interfaces urbanos como oportunidades latentes: o caso da Favela de Paraisópolis “, realizada em programa de mestrado na modalidade sanduíche pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e pela Architectural Association Graduate School, (Londres, Inglaterra). Contou com esquemas gráficos, visitas à comunidade e medições in loco da temperatura para que fosse possível desenvolver as estratégias de atuação. O trabalho já foi, inclusive, premiado recentemente com a primeira colocação no prêmio LafargeHolcim Forum Student Poster Competition, em Detroit, Estados Unidos, pela LafargeHolcim Foundation, empresa da área de cimentos com sede na Suíça.

Fonte: Jornal USP (http://jornal.usp.br/ciencias/arquiteto-desenvolve-estrategias-para-levar-maior-conforto-ambiental-a-favelas/)

 

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